A rotina de quem trabalha em movimento, como caminhoneiros, motoristas e motoboys, exige atenção constante, responsabilidade e, acima de tudo, segurança. Por trás de cada entrega ou trajeto, existem normas importantes que garantem não apenas o bom funcionamento das operações, mas também a proteção da vida.

Nesse contexto, compreender temas como exame toxicológico, adicional de periculosidade e as obrigações legais das empresas é fundamental para manter as atividades em conformidade com a legislação e promover ambientes de trabalho mais seguros.

Exame toxicológico: quando é obrigatório?

O exame toxicológico é uma exigência legal para motoristas profissionais das categorias C, D e E. Seu principal objetivo é identificar o uso de substâncias psicoativas que possam comprometer a capacidade de condução e aumentar o risco de acidentes.

A obrigatoriedade se aplica em diferentes situações, como:

  • Admissão e demissão;
  • Renovação da CNH;
  • Exames periódicos (a cada 2 anos e 6 meses para motoristas com menos de 70 anos).

Dessa forma, essa medida contribui diretamente para a redução de acidentes e fortalece a segurança nas estradas.

Periculosidade: o que mudou para motoristas e motociclistas?

O adicional de periculosidade é um direito previsto na legislação trabalhista para atividades que envolvem risco acentuado à vida. No entanto, mudanças recentes trouxeram maior clareza, principalmente para profissionais que utilizam motocicletas durante a jornada de trabalho.

Com a publicação da Portaria MTE nº 2.021/2025, que atualizou a NR-16 (Norma Regulamentadora de Atividades Perigosas), o uso de motocicletas em vias públicas passou a contar com regras mais específicas.

Assim, a partir de abril de 2026, ficou estabelecido que:

  • O uso de motocicleta como ferramenta de trabalho é considerado atividade perigosa;
  • Trabalhadores contratados pelo regime CLT que utilizam motocicleta de forma habitual têm direito ao adicional de periculosidade;
  • O adicional corresponde a 30% do salário-base;
  • Cabe à empresa cumprir essa obrigação, que passou a ser fiscalizada com maior rigor.

Como consequência, essa atualização trouxe mais segurança jurídica e reduziu as dúvidas sobre a aplicação da norma.

Quem tem direito e quem não tem?

De forma geral, têm direito ao adicional de periculosidade:

  • Motoboys;
  • Motofretistas;
  • Mototaxistas;
  • Profissionais que utilizam motocicletas em vias públicas como parte habitual de suas atividades.

Por outro lado, a legislação também estabelece situações em que o adicional não é devido, como:

  • Quando o uso da motocicleta ocorre apenas de forma eventual;
  • Nos deslocamentos entre residência e trabalho;
  • Em atividades realizadas exclusivamente em áreas privadas.

Normas de segurança: o que diz a legislação?

A segurança dos profissionais que trabalham em locomoção é regulamentada por diferentes normas, que estabelecem diretrizes para reduzir riscos e preservar a saúde dos trabalhadores.

Entre os principais requisitos estão:

  • Controle da jornada de trabalho e dos períodos de descanso;
  • Manutenção e condições adequadas dos veículos;
  • Utilização correta dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);
  • Realização de treinamentos e capacitações obrigatórias.

Além de atender às exigências legais, essas medidas contribuem para prevenir acidentes, reduzir afastamentos e melhorar a qualidade de vida dos profissionais.

Obrigações da empresa: qual é o papel do empregador?

As empresas desempenham um papel essencial na proteção dos colaboradores que trabalham em locomoção.

Isso inclui cumprir todas as exigências relacionadas ao exame toxicológico, avaliar corretamente o direito ao adicional de periculosidade e oferecer condições adequadas para o desenvolvimento das atividades.

Além disso, cabe ao empregador promover treinamentos periódicos, orientar os trabalhadores sobre práticas seguras, monitorar os riscos ocupacionais e implementar ações preventivas de forma contínua.

Dessa maneira, investir em segurança deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a representar um diferencial para a empresa, contribuindo para operações mais seguras, redução de acidentes e valorização dos colaboradores.

Segurança que vai além da legislação

Garantir a segurança de motoristas, caminhoneiros e motoboys vai muito além do cumprimento das normas. Trata-se de um compromisso permanente com a preservação da vida e da saúde dos trabalhadores.

Por isso, empresas que adotam uma gestão de Saúde e Segurança do Trabalho baseada na prevenção conseguem antecipar riscos, reduzir acidentes e fortalecer a eficiência das operações.

Por fim, se a sua empresa ainda não estruturou processos relacionados ao gerenciamento de riscos, exames ocupacionais e conformidade legal, este é o momento ideal para iniciar essa transformação.

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