As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) estão entre as principais causas de afastamentos do trabalho no Brasil. Além disso, essas condições afetam músculos, tendões, nervos e articulações, comprometendo a saúde do trabalhador e impactando diretamente a produtividade das empresas.

Embora qualquer profissional possa desenvolver LER e DORT, algumas atividades apresentam um risco significativamente maior devido à repetição de movimentos, posturas inadequadas, esforço físico intenso ou permanência prolongada na mesma posição.

Por isso, entender quais profissões estão mais expostas a esses riscos é fundamental para fortalecer as ações preventivas. Neste artigo, você entenderá quais profissões são mais afetadas, quais sinais merecem atenção e como a empresa pode atuar na prevenção dessas doenças ocupacionais.

O que são LER e DORT? Entenda as diferenças

Antes de tudo, apesar de muitas vezes serem tratadas como sinônimos, LER e DORT possuem diferenças importantes.

LER (Lesão por Esforço Repetitivo) refere-se às lesões causadas principalmente pela repetição constante de movimentos.

Já DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) é um termo mais abrangente, utilizado para descrever doenças que afetam músculos, tendões, ligamentos, nervos e articulações relacionadas às condições de trabalho.

Quais são as principais doenças relacionadas à LER e DORT?

Entre as condições mais comuns, estão:

  • Tendinite;
  • Bursite;
  • Síndrome do túnel do carpo;
  • Epicondilite;
  • Tenossinovite;
  • Cervicalgias;
  • Lombalgias.

Com o passar do tempo, esses problemas podem surgir de forma gradual e, quando não tratados, evoluir para dores crônicas e limitações funcionais.

Quais profissões têm maior risco de desenvolver LER e DORT?

De modo geral, algumas atividades profissionais apresentam fatores de risco que favorecem o desenvolvimento dessas doenças. Entre eles, estão a repetição de movimentos, o esforço físico e a manutenção de posturas inadequadas por longos períodos.

Profissionais administrativos

Por exemplo, quem trabalha em escritório costuma passar horas utilizando teclado e mouse, além de permanecer sentado durante grande parte da jornada.

Nesse caso, os principais riscos são:

  • Movimentos repetitivos das mãos;
  • Postura inadequada;
  • Mobiliário sem ajuste ergonômico;
  • Ausência de pausas.

Como consequência, as regiões mais afetadas costumam ser punhos, mãos, ombros, pescoço e coluna.

Operadores de telemarketing e profissionais de atendimento

Da mesma forma, esses profissionais realizam movimentos repetitivos durante praticamente toda a jornada, além de permanecerem sentados por longos períodos.

Entre os principais fatores de risco, estão:

  • Digitação constante;
  • Uso contínuo de headset;
  • Tensão muscular;
  • Ritmo intenso de trabalho.

Assim, a combinação desses fatores pode aumentar a sobrecarga musculoesquelética ao longo da jornada.

Trabalhadores da indústria

No ambiente industrial, operadores de máquinas, montadores e profissionais da produção frequentemente realizam movimentos repetitivos associados ao levantamento de peso e ao esforço físico.

Nesse contexto, os principais riscos incluem:

  • Repetitividade;
  • Força excessiva;
  • Vibração de equipamentos;
  • Posturas inadequadas.

Consequentemente, a exposição contínua a esses fatores pode favorecer o surgimento de problemas osteomusculares.

Profissionais da construção civil

Por sua vez, pedreiros, pintores, eletricistas e serventes realizam atividades que exigem grande esforço físico e movimentos repetitivos.

Além disso, são comuns problemas relacionados à:

  • Coluna;
  • Ombros;
  • Joelhos;
  • Punhos.

Por esse motivo, a avaliação dos riscos presentes nas atividades é essencial para definir medidas de prevenção adequadas.

Profissionais da área da saúde

Outro grupo que merece atenção é o dos profissionais da saúde. Enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, dentistas e médicos também apresentam elevado risco.

Isso acontece, principalmente, devido à necessidade de:

  • Movimentação de pacientes;
  • Permanência em pé;
  • Realização de procedimentos repetitivos;
  • Manutenção de posturas por longos períodos.

Dessa forma, a rotina de trabalho pode gerar sobrecarga física e aumentar a exposição a fatores de risco ergonômicos.

Motoristas

Além dos profissionais citados anteriormente, motoristas de caminhão, ônibus, aplicativos e transporte de cargas permanecem sentados por muitas horas.

Ao mesmo tempo, enfrentam:

  • Vibração constante do veículo;
  • Pouca movimentação corporal;
  • Jornadas prolongadas.

Como resultado, esses fatores aumentam principalmente os casos de dores lombares e cervicais.

Trabalhadores de supermercados e centros de distribuição

Da mesma maneira, operadores de caixa, repositores e estoquistas executam movimentos repetitivos diariamente.

Entre os principais riscos, estão:

  • Levantamento de cargas;
  • Repetição de movimentos dos braços;
  • Flexão frequente da coluna.

Por isso, a organização das atividades e a adoção de medidas ergonômicas são importantes para reduzir a sobrecarga física.

Cabeleireiros, manicures e esteticistas

Nesse segmento, esses profissionais permanecem por horas realizando movimentos finos e repetitivos com os braços elevados.

Como consequência, as regiões mais afetadas são:

  • Punhos;
  • Cotovelos;
  • Ombros;
  • Coluna cervical.

Profissionais da limpeza

Da mesma forma, os serviços de limpeza exigem esforço físico constante e repetição de movimentos.

Além da repetitividade, a combinação entre força, postura inadequada e ritmo intenso favorece o desenvolvimento de diversas doenças osteomusculares.

Costureiras e profissionais da confecção

Por fim, a costura exige movimentos repetitivos durante praticamente toda a jornada.

Além disso, o trabalho sentado por muitas horas pode provocar dores na coluna, pescoço e membros superiores.

Quais são os principais sintomas de LER e DORT?

Em geral, os sintomas costumam aparecer gradualmente e podem ser confundidos com um simples cansaço muscular.

Entre os principais sinais de alerta, estão:

  • Dores persistentes;
  • Formigamento;
  • Dormência;
  • Sensação de peso nos braços;
  • Perda de força;
  • Inchaço;
  • Dificuldade para movimentar articulações;
  • Limitação dos movimentos.

Por isso, ao perceber esses sintomas, é fundamental buscar avaliação médica antes que a condição evolua.

Como prevenir LER e DORT no ambiente de trabalho?

De modo geral, a prevenção depende da atuação conjunta entre empresa, gestores e trabalhadores. Para isso, é necessário identificar os fatores de risco e adotar medidas capazes de reduzir a exposição dos colaboradores.

Adequação ergonômica do ambiente de trabalho

Primeiramente, a adaptação do posto de trabalho reduz significativamente a sobrecarga muscular e melhora o conforto durante a execução das atividades.

Organização e alternância das atividades

Além da adequação ergonômica, a organização das tarefas também contribui para reduzir a exposição aos riscos. Sempre que possível, é recomendado implementar:

  • Pausas programadas;
  • Alternância de tarefas;
  • Rodízio de funções;
  • Redução da repetitividade.

Dessa forma, é possível diminuir a sobrecarga física e contribuir para um ambiente de trabalho mais seguro.

Treinamento e orientação dos trabalhadores

Além disso, orientar os colaboradores sobre postura, ergonomia e utilização correta dos equipamentos faz parte das boas práticas de Saúde e Segurança do Trabalho.

Assim, os trabalhadores conseguem reconhecer situações de risco e adotar comportamentos mais seguros durante suas atividades.

Identificação precoce dos sintomas de LER e DORT

Da mesma maneira, quanto mais cedo um trabalhador comunica dores ou desconfortos, maiores são as chances de evitar o agravamento do quadro.

Por isso, incentivar a comunicação dos sintomas contribui para que a empresa consiga agir de forma preventiva.

Qual é o papel do PGR e do PCMSO na prevenção de LER e DORT?

Nesse sentido, a prevenção de LER e DORT não depende apenas de ações isoladas. Pelo contrário, ela faz parte da gestão integrada da Saúde e Segurança do Trabalho.

Como o PGR contribui para a prevenção de LER e DORT?

Nesse contexto, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) permite identificar e avaliar os riscos ergonômicos presentes nas atividades da empresa, contribuindo para a definição de medidas preventivas.

Como o PCMSO contribui para a saúde dos trabalhadores?

Por sua vez, o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) acompanha a saúde dos trabalhadores expostos a esses riscos, por meio de exames ocupacionais e monitoramento médico.

Quando utilizados de forma integrada, esses programas ajudam a:

  • Reduzir afastamentos;
  • Diminuir acidentes e doenças ocupacionais;
  • Melhorar a qualidade de vida dos colaboradores;
  • Aumentar a produtividade;
  • Promover conformidade com a legislação trabalhista.

Dessa maneira, a integração entre o gerenciamento dos riscos e o acompanhamento da saúde dos trabalhadores contribui para uma atuação mais preventiva.

Por que investir na prevenção de LER e DORT é uma decisão estratégica?

Além de preservar a saúde dos trabalhadores, investir em ergonomia e prevenção reduz custos relacionados a afastamentos, substituições, queda de produtividade e passivos trabalhistas.

Ao mesmo tempo, empresas que monitoram seus riscos ocupacionais e promovem ambientes de trabalho mais seguros fortalecem sua cultura organizacional e demonstram compromisso com o bem-estar de seus colaboradores.

Portanto, investir na prevenção de LER e DORT pode contribuir tanto para a saúde dos trabalhadores quanto para uma gestão mais eficiente dos riscos ocupacionais.

Conclusão: como reduzir os riscos de LER e DORT nas empresas

As LER e os DORT continuam entre as doenças ocupacionais mais frequentes no ambiente de trabalho, especialmente em atividades que envolvem repetitividade, esforço físico e posturas inadequadas.

Diante disso, conhecer quais profissões apresentam maior risco é o primeiro passo para implementar ações preventivas eficazes. Além disso, com programas como o PGR e o PCMSO, avaliações ergonômicas e uma cultura voltada à prevenção, é possível reduzir significativamente a ocorrência dessas doenças e promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.

Por fim, se sua empresa deseja fortalecer a prevenção de LER e DORT, contar com uma assessoria especializada em Saúde e Segurança do Trabalho é essencial para identificar riscos, cumprir a legislação e proteger a saúde dos colaboradores.

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