A ergonomia no trabalho estabelece parâmetros que permitem a adaptação das condições laborais às características psicofisiológicas dos trabalhadores, com o objetivo de proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente.
Mais do que uma exigência legal, a ergonomia é uma estratégia essencial para a prevenção de doenças ocupacionais, redução de afastamentos, aumento da produtividade e melhoria da qualidade de vida no trabalho, seja em ambientes industriais, administrativos ou no home office.
Neste conteúdo, você vai entender:
- O que é ergonomia e sua origem
- Por que ela é tão importante para a saúde do trabalhador
- Quais são os principais benefícios da ergonomia no trabalho
- O que determina a NR-17
- As consequências do descumprimento da norma
- Como iniciar ações práticas de ergonomia na empresa
Boa leitura!
O que é Ergonomia?
Ergonomia é o conjunto de disciplinas que estudam a organização do trabalho e as interações entre o ser humano e os sistemas, máquinas, equipamentos e ambientes.
Seu principal objetivo é adaptar o trabalho às capacidades físicas, cognitivas e psicológicas do trabalhador, promovendo conforto, segurança, eficiência e prevenção de doenças ocupacionais, como LER e DORT.
Na prática, a ergonomia busca alinhar:
- Postura
- Movimentos
- Ritmo de trabalho
- Condições ambientais
- Uso de equipamentos e tecnologias
Tudo isso sem comprometer a saúde do trabalhador nem o desempenho das atividades.
Origem e História da Ergonomia
Os primeiros registros sobre doenças relacionadas ao trabalho surgiram em 1700, quando o médico italiano Bernardino Ramazzini publicou a obra De Morbis Artificum, descrevendo os riscos à saúde associados a diferentes profissões.
Já no início do século XX, Frederick Taylor, com o livro Princípios da Administração Científica (1911), passou a estudar formas mais eficientes de executar tarefas. Apesar do foco produtivista, seus estudos abriram caminho para análises mais aprofundadas sobre o trabalho humano.
Na mesma época, Frank e Lilian Gilbreth ampliaram esses conceitos ao desenvolverem o Estudo de Tempos e Movimentos, buscando eliminar esforços desnecessários. Eles foram pioneiros ao perceber que melhorias nas condições de trabalho reduziam lesões por esforço repetitivo e aumentavam a eficiência.
Com o avanço tecnológico e as mudanças nos ambientes de trabalho, a ergonomia evoluiu até se consolidar como área científica. Em 1959, foi fundada, em Oxford, a Associação Internacional de Ergonomia, marco importante para a difusão e fortalecimento da ergonomia no mundo.
A Importância da Ergonomia para a Saúde do Trabalhador
A ergonomia está diretamente ligada à saúde física e mental dos trabalhadores. Ambientes mal adaptados, mobiliário inadequado, excesso de ruído, iluminação incorreta e temperaturas extremas são fatores que impactam negativamente o bem-estar e a produtividade.
Entre os principais fatores analisados pela ergonomia, destacam-se:
Iluminação
A iluminação inadequada pode causar fadiga visual, dores de cabeça, erros operacionais e queda de desempenho, tanto em escritórios quanto em ambientes industriais.
Temperatura e conforto térmico
A exposição a temperaturas elevadas ou muito baixas, associada à umidade, influencia diretamente a produtividade e aumenta o risco de erros e doenças.
Estudos citados por D’Ambrosio Alfano et al. (2011) indicam parâmetros de conforto térmico:
| Intervalo de Temperatura (ICF) | Nível de Desconforto |
|---|---|
| 20°C a 29°C | Confortável |
| 30°C a 39°C | Desconfortável |
| 40°C a 45°C | Altamente desconfortável |
| Acima de 45°C | Perigoso |
| Acima de 54°C | Insolação iminente |
Ruído
A exposição contínua a ruídos excessivos pode causar perda auditiva temporária ou permanente, além de estresse e dificuldade de concentração. O uso de EPIs e medidas de controle é fundamental.
Postura e mobiliário
Mesas, cadeiras e equipamentos inadequados estão entre as principais causas de DORT e dores musculoesqueléticas. A prevenção passa pela correta adaptação do posto de trabalho ao trabalhador.
Benefícios da Ergonomia no Trabalho
Prevenção de doenças ocupacionais
Grande parte das doenças ocupacionais atuais está relacionada à falta de ergonomia, como:
- LER (Lesão por Esforço Repetitivo)
- DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho)
- Estresse ocupacional
- Perda auditiva
- Problemas posturais e visuais
Medidas simples fazem grande diferença, como:
- Cadeiras ajustáveis, com suporte lombar
- Teclados, mouses e mousepads ergonômicos
- Pausas regulares
- Uso adequado de EPIs
Aumento da produtividade
Ambientes confortáveis e organizados influenciam diretamente o comportamento humano. A Experiência de Hawthorne (1927) demonstrou que trabalhadores se tornam mais produtivos quando percebem cuidado e valorização.
A ergonomia reduz afastamentos, diminui erros e melhora o engajamento, refletindo diretamente nos resultados da empresa.
Melhoria da qualidade de vida
O principal objetivo da ergonomia é promover saúde e bem-estar. Com menos cansaço, estresse e dores, há:
- Melhor relacionamento entre equipes
- Redução de faltas e atrasos
- Maior motivação e satisfação no trabalho
Ergonomia e a Relação Humano-Computador
Com o avanço da tecnologia e o crescimento do trabalho administrativo e remoto, a ergonomia passou a ter forte relação com a usabilidade de sistemas e equipamentos.
Quanto mais intuitivo e bem projetado for um sistema, menor será o esforço físico e cognitivo do trabalhador. Falhas de usabilidade geram retrabalho, frustração e queda de eficiência.
O uso prolongado de computadores aumentou casos de:
- LER
- Problemas posturais
- Fadiga visual
Por isso, a ergonomia atua tanto na adaptação de hardwares (cadeiras, teclados, mouses) quanto de softwares, priorizando eficiência, conforto e saúde.
NR-17: Ergonomia no Trabalho
A Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17) foi instituída em 1978 pelo Ministério do Trabalho e Emprego e estabelece os requisitos mínimos de ergonomia para adaptação das condições de trabalho às características dos trabalhadores.
A NR-17 determina que o empregador deve realizar a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), abordando, no mínimo:
- Condições ambientais
- Organização do trabalho
- Postos de trabalho
- Levantamento, transporte e descarga de materiais
A norma é essencial, pois grande parte das doenças ocupacionais tem origem em riscos ergonômicos, como:
- Trabalho em pé por longos períodos
- Movimentos repetitivos
- Esforço físico excessivo
Consequências do Descumprimento da NR-17
Para a empresa
Em caso de irregularidades identificadas em fiscalização:
- A empresa é notificada
- Recebe prazo (geralmente até 60 dias) para adequação
- Persistindo as falhas, pode sofrer multas e responder judicialmente
Para o trabalhador
Se o trabalhador se recusar injustificadamente a cumprir as orientações da NR-17, pode ser caracterizado ato faltoso, sujeito às penalidades previstas em lei, inclusive demissão por justa causa.
Como Iniciar Ações de Ergonomia na Empresa
O primeiro passo é investir em treinamento e conscientização. Programas de ergonomia eficazes incluem:
- Palestras educativas
- Materiais informativos
- Orientações práticas no posto de trabalho
- Avaliações ergonômicas (AEP e AET)
Essas ações fortalecem a Cultura de Segurança e Saúde no Trabalho, demonstram cuidado com as pessoas e previnem problemas futuros.
Conclusão
A ergonomia no trabalho vai muito além do cumprimento de normas: ela é um investimento em saúde, produtividade e sustentabilidade organizacional. Empresas que adotam práticas ergonômicas reduzem riscos, melhoram resultados e constroem ambientes mais humanos e eficientes.
Seja na indústria, no escritório ou no home office, ergonomia é cuidado contínuo, e deve fazer parte da estratégia de qualquer organização comprometida com pessoas.



