Afastamentos por saúde mental nas empresas: números recordes e o que eles revelam sobre o futuro do trabalho
A saúde mental deixou de ser um tema secundário nas organizações e passou a ocupar o centro das discussões sobre gestão de pessoas, produtividade e sustentabilidade empresarial. Nos últimos anos, os índices de afastamento por transtornos psicológicos cresceram de forma acelerada no Brasil e no mundo, sinalizando uma mudança profunda no perfil do adoecimento ocupacional.
Este artigo reúne os principais dados atualizados, analisa as causas do aumento dos afastamentos, identifica os setores mais impactados e explica o que muda para as empresas com a inclusão dos riscos psicossociais na NR-1.
O crescimento histórico dos afastamentos por saúde mental no Brasil
Os números mais recentes mostram uma escalada sem precedentes. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que o Brasil ultrapassou 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, estabelecendo um novo recorde nacional. Em 2020, o país registrava cerca de 91 mil casos.
A evolução recente evidencia a magnitude da mudança:
- 2020: cerca de 91 mil afastamentos
- 2023: 283 mil afastamentos
- 2024: 472 mil afastamentos
- 2025: mais de 546 mil afastamentos
Em apenas cinco anos, o crescimento ultrapassou 400%, consolidando os transtornos psicológicos entre as principais causas de incapacidade temporária para o trabalho. Ansiedade e depressão já figuram entre os maiores motivos de licença laboral, atrás principalmente das doenças musculoesqueléticas.
Esse movimento revela uma transformação estrutural: o adoecimento mental passou a disputar protagonismo com doenças físicas tradicionais no cenário ocupacional brasileiro.
Quem mais se afasta: o perfil dos trabalhadores impactados
Os registros previdenciários mostram que o afastamento por saúde mental não ocorre de forma aleatória. Há uma concentração maior entre profissionais em idade economicamente ativa, justamente no período de maior produtividade da carreira. Mulheres representam a maior parte dos afastamentos, fenômeno frequentemente associado à sobrecarga emocional, dupla jornada e maior exposição a demandas relacionais no trabalho.
Regiões economicamente mais intensas concentram maior número absoluto de licenças, o que indica relação direta entre ambientes altamente competitivos e aumento do sofrimento psíquico.
Quais transtornos mais afastam trabalhadores
Os diagnósticos seguem um padrão consistente ao longo dos últimos anos. A ansiedade aparece como principal causa de afastamento, seguida por episódios depressivos e condições relacionadas ao estresse crônico, incluindo Burnout.
Entre os transtornos mais recorrentes estão:
- Transtornos de ansiedade;
- Episódios depressivos e depressão recorrente;
- Reações ao estresse grave e síndrome de Burnout;
- Transtorno bipolar e dependência química.
Somente em 2025, aproximadamente 166 mil afastamentos estiveram ligados à ansiedade e 126 mil à depressão. O dado reforça que o sofrimento psíquico está diretamente conectado às dinâmicas contemporâneas de trabalho, marcadas por pressão constante, insegurança profissional e excesso de estímulos.
Por que os afastamentos estão aumentando ao longo dos anos
O crescimento dos índices não pode ser explicado por um único fator. Ele resulta da combinação de transformações sociais e organizacionais que alteraram profundamente a experiência do trabalho.
A pandemia atuou como aceleradora desse processo. Além dos impactos emocionais diretos, consolidou novas formas de trabalho que ampliaram a carga mental e reduziram fronteiras entre vida pessoal e profissional. Mesmo após o período crítico, os efeitos psicológicos permaneceram.
Ao mesmo tempo, o trabalho tornou-se mais intenso e cognitivo. Metas agressivas, equipes enxutas e necessidade constante de adaptação aumentaram a exigência emocional diária. A hiper conectividade reforçou esse cenário ao criar uma sensação contínua de disponibilidade, dificultando períodos reais de descanso mental.
Outro elemento importante é a mudança cultural. O estigma relacionado à saúde mental diminuiu, fazendo com que mais trabalhadores procurem diagnóstico e tratamento. Parte do aumento dos números, portanto, reflete maior conscientização, não apenas agravamento das condições.
Ainda assim, muitas organizações permanecem despreparadas para lidar preventivamente com fatores psicossociais, atuando apenas quando o adoecimento já está instalado.
O impacto financeiro e organizacional para as empresas
O crescimento dos afastamentos gera efeitos diretos na sustentabilidade dos negócios. A ausência prolongada de profissionais reduz produtividade, aumenta custos operacionais e sobrecarrega equipes, criando ciclos sucessivos de desgaste.
Além dos custos previdenciários e assistenciais, surgem impactos menos visíveis, como perda de conhecimento interno, queda no engajamento e aumento da rotatividade. A saúde mental passou a influenciar indicadores estratégicos, incluindo retenção de talentos, reputação empregadora e desempenho organizacional de longo prazo.
O novo perfil do adoecimento no trabalho
O cenário atual mostra uma mudança significativa: o adoecimento ocupacional tornou-se majoritariamente psicossocial. Não se trata apenas de condições individuais, mas do modo como o trabalho é organizado.
Entre os fatores mais associados ao sofrimento mental estão excesso de demandas cognitivas, baixa autonomia, liderança despreparada, conflitos interpessoais e falta de reconhecimento profissional. Esses elementos demonstram que a saúde mental é resultado direto da interação entre cultura organizacional, modelo de gestão e condições de trabalho.
A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1: um marco regulatório
A atualização da NR-1 representa uma mudança importante na forma como a saúde ocupacional é tratada no Brasil. A norma passou a reconhecer oficialmente os riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), ampliando o conceito tradicional de segurança do trabalho.
Na prática, fatores organizacionais capazes de gerar adoecimento mental devem agora ser identificados, avaliados e controlados pelas empresas, assim como riscos físicos ou ergonômicos.
Isso inclui situações como estresse ocupacional crônico, sobrecarga de trabalho, pressão psicológica excessiva, assédio moral e ambientes organizacionais disfuncionais. A exigência desloca o foco da reação ao adoecimento para a prevenção estruturada, tornando a saúde mental uma responsabilidade organizacional formal.
O que as empresas precisam fazer agora
Diante desse cenário, organizações mais maduras estão substituindo ações isoladas por estratégias contínuas de prevenção. A gestão de riscos psicossociais passa a integrar práticas de SST e gestão de pessoas, exigindo preparo das lideranças, monitoramento de indicadores humanos e construção de ambientes psicologicamente seguros.
Programas consistentes, integrados à cultura organizacional, mostram maior capacidade de reduzir afastamentos do que iniciativas pontuais ou exclusivamente educativas.
O futuro: saúde mental como indicador estratégico
Os recordes consecutivos de afastamentos indicam que a saúde mental se consolidou como um dos principais desafios da gestão contemporânea. O trabalho mudou, e o modelo de cuidado organizacional precisa evoluir na mesma velocidade.
Empresas que incorporarem o bem-estar psicológico à estratégia corporativa tendem a reduzir custos, aumentar engajamento e fortalecer sua sustentabilidade. Mais do que uma exigência legal, trata-se de uma mudança estrutural na forma de pensar produtividade e desempenho humano.
A questão já não é se a saúde mental deve ser prioridade, mas o nível de preparação das organizações para lidar com essa nova realidade do trabalho.
Sua empresa está preparada para gerenciar os riscos psicossociais exigidos pela NR-1?
O aumento dos afastamentos por saúde mental mostra que agir apenas de forma reativa já não é suficiente. Estruturar uma gestão preventiva, baseada em dados e alinhada às exigências legais, é o caminho para reduzir riscos, proteger pessoas e fortalecer resultados organizacionais.
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